A minha história tem bem mais poeira de obra e graxa do que o padrão engomadinho do LinkedIn costuma aceitar.
Tudo começou aos 14 anos. Não é que a escola fosse uma perda de tempo, ela só não era para mim. Eu simplesmente não conseguia prestar atenção naquele formato que as coisas eram ensinadas. Foi uma fase bem sofrida: fui "convidado a me retirar" de vários colégios e minha mãe praticamente batia ponto na diretoria para ouvir reclamações do meu comportamento. Até o dia em que a paciência dela acabou e o decreto foi direto: "Não vai estudar? Então vai trabalhar." Foi assim que eu fui parar num provedor de internet discada (as antigas BBS), aprendendo a programar na raça numa época em que a internet ainda era mato.
Passei os 27 anos seguintes escalando na máquina da publicidade. Saí de Belo Horizonte, fui para São Paulo e joguei a "Champions League" do mercado. Liderei equipes gigantes, aprovei orçamentos milionários, atendi contas de peso e sentei nas mesas onde as decisões de verdade eram tomadas. Eu cheguei bem perto do topo da cadeia alimentar corporativa. Perto o suficiente para descobrir, de camarote, como a salsicha é feita. Spoiler: a receita é feia.
O engraçado é que a minha grande ruptura não aconteceu por causa de um fracasso. Aconteceu justamente quando eu percebi que o roteiro de sucesso que eu estava seguindo não fazia mais nenhum sentido pra mim.
No auge da pandemia, eu estava ganhando uma grana muito boa, recebendo bônus anuais na casa dos seis dígitos e aproveitando todas as regalias que o cargo oferecia. Liderava mais de 80 criativos e cuidava do caos de uma operação com quase 300 pessoas. Eu era a peça perfeita da engrenagem: o cara útil, que tomava o tiro, abafava a bomba e resolvia a loucura, batia a meta e ainda fazia reunião de 1x1 pra ninguém surtar. Eu tava seguindo o script certinho. Até que entrou um novo CEO na operação e o clima ficou tóxico. A gota d'água aconteceu enquanto eu estava num recesso. (Mas essa história eu te conto pessoalmente) Quando a poeira baixou, olhei pro meu crachá e a ficha caiu pesado: o CNPJ não tem coração.
Percebi que tava vendendo meu tempo de vida — e a minha saúde — para sustentar um moedor de carne e o ego de gente que eu nem admirava. Foi ali que decidi que não ia mais trabalhar para as empresas. Eu queria trabalhar com as pessoas. Pedi demissão no meio de uma pandemia global, sem plano B, sem rede de segurança, e apostei no meu CPF.
Hoje, a minha visão de mundo é outra. Há 5 anos, troquei a Vila Madalena — aquele reduto onde ficam as agências "descoladas", mas que no fundo tem a mesma energia fancy e engravatada da Faria Lima — por uma fazenda na Bahia.
Eu sou um designer, mas a minha escola não é mais a do layout bonito, é a da estrutura e da sobrevivência. Em 2025, projetei do zero e ajudei a levantar a minha casa com as minhas própria mãos. E foi no meio da obra que eu fechei a minha filosofia: aqui, a parte mais crítica da tubulação elétrica e hidráulica é aparente. Pode ser o pesadelo de uma revista de arquitetura, mas no dia que dá qualquer problema, eu resolvo girando uma chave, sem precisar dar marretada nem reconstruir parede.
É essa lógica bruta que eu aplico na minha vida e na vida de quem me procura.
Para mim, design não é deixar o PowerPoint fofinho; é engenharia e processo para construir a vida e não deixar ela desabar no primeiro burnout.
Aviso logo: eu não sou coach e não te vendo motivação às 5 da manhã. Eu atuo como seu Parceiro Pensante. Sou o cara que entra no seu caos corporativo pra te ajudar a limpar o terreno, puxar o freio de mão antes do muro e desenhar uma estratégia que pare em pé no mundo real — seja para você aprender a jogar o jogo e crescer onde está sem perder a saúde, ou para planejar a sua rota de fuga com segurança.
Pra você ter uma ideia da mudança do meu fuso horário: hoje eu planto Jacarandá, que demora 30 anos para dar retorno. Reflorestei um pasto com Bambu Gigante que só vou colher em 2037. É o exato oposto daquela ansiedade corporativa do "preciso pra ontem". E, enquanto as árvores crescem no tempo delas, eu uso meus 30 anos de cicatrizes para garantir que você não precise ganhar as suas da pior forma possível.